segunda-feira, 5 de novembro de 2007

As Nicolinas há um século (I)

"A [banda] do João Inácio actuava principalmente, na minha lembrança, nas festas Nicolinas e na noite do “Pinheiro” lá vinha ela a desfiar o Hino de S. Nicolau, para o qual o velho amigo, e Nicolino, Torcato Simões engendrou a letra, já muito tardiamente para lha decorarmos, nesta terra onde não há queda para o canto.

No primeiro de Dezembro, à porta do “Afonso Henriques”, a estudantada, archotes acesos nas mãos dos garotos, soltava o grito “Ó Inácio, toca o Hino”, e aquela rapaziada desandava pelas ruas de Guimarães aos vivas, e um ou outro trauteava a letra adaptada, que começava assim:

“Ó homem da pêra branca!

Qu'é lá isso?”

Etc., etc, etc.

Depois eram as “Posses” e o Magusto, que terminava no alpendre da igreja de S. Pedro, dentro das grades, na distribuição das castanhas e da vinhaça à garotada, oleiros e música.

Geralmente o Inácio era caloteado pela Comissão Académica, que nunca prestava contas, e havia sempre um benfeitor que fiava a estudantada, nem sempre satisfeita, e parece que, afinal, o Inácio tinha certa afeição aos estudantes, como qualquer “nicolino”.

O homem do bombo era um preto, de bigodes grisalhos, que também distribuía o “Independente”, do Albano Pires de Sousa."

António de Quadros Flores (Coronel), Guimarães na última quadra do romantismo, 1898-1918, Tipografia Ideal, 1967, cap. XVII, pág. 54

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